O grupo formado por quatro estudantes na comunidade do Tumbira, a 64 quilômetros de Manaus, se matriculou no curso de Engenharia Florestal, com o objetivo de levar ideias inovadoras para quem mora e vive dos produtos da região.
Ao som da floresta e com vista para o Rio Negro, todos os dias o estudante Giovani Garrido, de 23 anos, liga o computador e inicia uma rotina de estudos online. Ele faz parte de um grupo de estudantes da comunidade ribeirinha Tumbira, a 64 km de Manaus, que durante a pandemia ingressou em uma universidade à distância.
O caminho para sair da comunidade não é fácil. O acesso ao local acontece somente por meio fluvial. Fazer uma faculdade de forma presencial na capital custaria cerca de quatro horas de viagem de lancha todos os dias.
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Por isso, além do isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19 nos últimos dois anos, estudar a distância foi uma alternativa para um problema já presente há muito tempo na comunidade: o isolamento geográfico.
A comunidade do Tumbira fica dentro de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável que recebe atividades da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), dentre elas, a instalação de antenas de internet que facilitam essa ligação entre a comunidade e o mundo.
Giovani Garrido conta que a iniciativa de ingressar no curso superior veio dele, que já participou de diversos cursos promovidos pela FAS e pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), todos voltados à preservação da fauna e flora local.
“Depois de me matricular eu comentei aqui na comunidade e nós formamos um grupo de quatro alunos. Por conta da dificuldade em meio à pandemia, estudar online agilizou bastante nosso processo de aprendizado, porque imagine, se fosse presencial, como eu faria para chegar até lá?”, disse.
E os benefícios da profissionalização desses alunos terão impactos na própria comunidade. O grupo se matriculou no curso de Engenharia Florestal, com o objetivo de levar ideias inovadoras para quem mora e vive dos produtos da região. Um reflexo do investimento realizado pela ONG que deve render mais frutos com o passar dos anos.
“A nossa formação pode ajudar bastante aqui na comunidade. Eu já trabalho em parceria com o Inpa, nas questões do meio ambiente que podem ajudar bastante a lidar com esse meio sustentável nas unidades de conservação em que nós mesmo habitamos, além de facilitar o conhecimento. Pela pessoa morar aqui, ela não tem muito esse conhecimento de comunidade ribeirinha, reserva e tudo mais, então, com a faculdade, a gente vai entendendo muito mais sobre essa questão”, disse Giovani.
Regionalidade no ensino
E no que se refere a educação, o projeto da FAS leva um ensino personalizado e de acordo com a realidade dos ribeirinhos desde os primeiros anos de escola. Para aprender o alfabeto, por exemplo, cada letra ensinada tem como referência um item da região.
A letra A é de açaí, X é de Xingú e Y de Yanomami, com a proposta de levar um material que tenha identidade e regionalidade.
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Na comunidade do Tumbrira, as salas de aulas foram construídas após uma assembleia com moradores da região. Elas contam até com alojamento para aqueles que precisam se hospedar na comunidade durante o período de aulas.
Dentro de sala, estudantes do Ensino Fundamental e Médio contam com ensino regular, com professores da região e aulas que também incentivam a leitura e informática.
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A superintendente de desenvolvimento sustentável da FAS, Valcléia Solidade, explica que as medidas adotadas na comunidade fazem com que a preservação e identidade do povo que ali vive sejam perpetuadas ao longo dos anos.
“A internet como ferramenta tem possibilitado que vários jovens tenham acesso a faculdade à distancia. No caso da comunidade do Tumbiras nós temos também a questão do ensino para os níveis fundamentais e médio, que voltaram de forma presencial e é importante para que esses jovens sejam a continuidade de suas comunidades. Então ver uma pessoas com a oportunidade de concluírem a graduação, seja qual for a área, faz toda a diferença. A gente acredita que a educação é a única coisa que faz com que o ser humano chegue onde ele quiser. Uma comunidade sem educação é uma comunidade sem futuro”, finaliza Valcicléia.
FONTE: Por G1 AM