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33 anos e doutora: quem é a fonoaudióloga suspeita de torturar crianças autistas no interior de SP 

Mães de pacientes denunciaram falta de atendimento e agressões em Duartina (SP); entenda o caso. Defesa da profissional Bianca Gonçalves informou que colabora com as investigações.

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A fonoaudióloga suspeita de torturar e ofender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma clínica particular de Duartina, no interior de São Paulo, possui graduação, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), campus de Bauru (SP). 

Bianca Rodrigues Lopes Gonçalves, de 33 anos, se formou como fonoaudióloga em 2009, realizou a Prática Profissionalizante em Fluência e Linguagem Infantil entre 2012 e 2013, finalizou o mestrado em Ciências pelo Programa de pós-graduação em 2012 e concluiu o doutorado em 2017. 

Em 2022, Bianca completa 13 anos como profissional na área. O CNPJ de sua clínica particular, na qual atuava como fonoaudióloga, foi registrado em 4 de setembro de 2020. O local passou por perícia e está à venda. 

Bianca é mãe de uma menina de 2 anos, natural de São Caetano do Sul (SP) e tem uma irmã. Ela completa 34 anos em 6 de outubro. Nas redes sociais da clínica, a fonoaudióloga publica fotos com conteúdo sobre o autismo e a psicologia infantil.

A profissional passou a ser investigada depois que mães de crianças autistas fizeram denúncias de violência à polícia. 

Questionada pelo g1, a defesa da fonoaudióloga Bianca Rodrigues apenas disse que colabora com as investigações policiais e se resguarda de outros pronunciamentos por conta de o inquérito policial estar em segredo de Justiça. 

A investigação

O g1 noticiou o caso no fim de junho. Na época, mães relataram que não estavam percebendo evoluções no tratamento dos filhos, e uma ex-funcionária da fonoaudióloga contou que as crianças não estavam recebendo atendimento. 

“A fonoaudióloga falava com as mães, mas as crianças ficavam na sala comigo. E eu estou cursando psicologia, ainda não tenho esse repertório de fazer o tratamento adequado”, afirmou a ex-funcionária.

Além da falta de atendimento, outras denúncias relacionadas à fonoaudióloga começaram a aparecer. A ex-funcionária, que era contratada como acompanhante terapêutica de um dos meninos atendidos, disse que viu a criança levar um tapa da profissional.

A mulher registrou fotos, áudios e vídeos das crianças durante os atendimentos e as entregou à polícia. Imagens das agressões não foram divulgadas, mas o g1 teve acesso a vídeos enviados pela família das crianças e a prints de aplicativos de conversas da fonoaudióloga (leia mais abaixo)

A Polícia Civil informou, na terça-feira (16), que a perícia comprovou a autenticidade das imagens. Agora, o delegado explicou que o próximo passo da investigação é terminar de ouvir os depoimentos das mães que denunciaram as agressões. 

Após a conclusão do inquérito, ele será encaminhado para o Ministério Público (MP-SP), que deve decidir se oferece denúncia à Justiça. 

Denúncias

Três mães conversaram com o g1 sobre as supostas agressões. Uma delas disse que desconfiou da situação quando o filho de 3 anos recusou o toque nos órgãos genitais durante uma consulta pediátrica e, mais tarde, afirmou que a fonoaudióloga tocava nele.

Outra mãe ouvida pela reportagem contou que o filho, de 9 anos, era trancado em salas no consultório. Ela descobriu o ocorrido quando foi chamada à delegacia e viu a foto que mostra as mãos do menino no vidro (veja abaixo)

Segundo a denúncia de uma mãe, criança era trancada em salas no consultório da fonoaudióloga — Foto: Arquivo pessoal
Segundo a denúncia de uma mãe, criança era trancada em salas no consultório da fonoaudióloga — Foto: Arquivo pessoal 

Ainda segundo esta mãe, o filho voltava para a casa com as roupas urinadas e, algumas vezes, sem camiseta.

Já uma terceira mãe relatou que o filho de 6 anos levou um tapa na boca por ter mordido a profissional. 

Segundo denuncia da mãe, o filho voltava para a casa com as roupas urinadas e, algumas vezes, sem camiseta — Foto: Arquivo pessoal
Segundo denuncia da mãe, o filho voltava para a casa com as roupas urinadas e, algumas vezes, sem camiseta — Foto: Arquivo pessoal

Prints

Além das denúncias, o g1 teve acesso a prints de conversas que, supostamente, mostram a fonoaudióloga tentando forjar atendimentos. 

“Dá uma disfarçada, sabe, finge que eu tô atendendo” e “eu não vou à tarde para a clínica amiga, inventei para a [nome] que tenho reunião” são algumas das mensagens divulgadas. 

Alguns prints também mostram que a profissional teria ofendido pacientes(veja as mensagens abaixo). Segundo as denúncias, as conversas seriam de agosto de 2021. 

Mensagens atribuídas a fonoaudióloga suspeita de torturar crianças autistas em Duartina — Foto: Arquivo pessoal
Mensagens atribuídas a fonoaudióloga suspeita de torturar crianças autistas em Duartina — Foto: Arquivo pessoal
Mensagens atribuídas a fonoaudióloga suspeita de torturar crianças autistas em Duartina — Foto: Arquivo pessoal
Mensagens atribuídas a fonoaudióloga suspeita de torturar crianças autistas em Duartina — Foto: Arquivo pessoal 
Mensagens atribuídas a fonoaudióloga suspeita de torturar crianças autistas em Duartina — Foto: Arquivo pessoal
Mensagens atribuídas a fonoaudióloga suspeita de torturar crianças autistas em Duartina — Foto: Arquivo pessoal

FONTE: Por G1/Foto:Reprodução

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