As unidades deixaram de ter interesse histórico porque foram demolidas ou descaracterizadas.
Nos últimos 18 anos, Manaus perdeu cerca de 30% das 1.656 unidades históricas localizadas na região central da cidade, o que representa aproximadamente 500 imóveis. A estimativa é que outros 110 imóveis de interesse histórico estão abandonados.
O último levantamento dos prédios históricos da capital amazonense havia sido feito em 2004. Em fevereiro deste ano, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) iniciou um novo trabalho para catalogar essas unidades.
De acordo com Pedro Paulo Cordeiro, diretor de planejamento urbano do Implurb, as unidades deixam de ter interesse histórico quando são demolidas ou descaracterizadas, por exemplo.
Nos últimos meses, os agentes do órgão realizaram uma reanálise dos dados que constam no decreto municipal 7.176/2004, que estabeleceu as unidades de interesse histórico da capital do Amazonas.
“Quando você modifica radicalmente uma fachada, ou dois imóveis são unificados ou até demolidos, você perde os elementos que caracterizam aquele prédio como histórico, e aí perde-se logicamente a questão do interesse porque não é mais aquela unidade original. Por isso, é preciso repensar a questão da manutenção, e orientação aos proprietários quanto a isso é também um dos principais objetivos desse novo levantamento”, explicou.
No bairro Cachoeirinha, Zona Sul da capital, o casarão que havia sido erguido no lote 555, da avenida Castelo Branco, deu lugar a um ponto comercial com arquitetura contemporânea. Por conta disso, o imóvel perdeu o status de interesse histórico.
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Já na rua 24 de maio, no Centro, outros dois prédios também foram retirados da lista. Se há 17 anos, dois imóveis com janelas e portas grandes e imponentes ocupavam os números 512 e 542, hoje em dia o que se vê é um terreno baldio e um estacionamento, após a demolição completa de ambos os imóveis.
“Nós sempre trabalhamos para tentar encontrar alguma solução para o imóvel que se encontra em um estado de má conservação. No entanto, às vezes o prédio está tão comprometido, que acaba sendo difícil e extremamente caro para reconstituir, que a única saída é a demolição”, pontuou Pedro Paulo.
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Imóveis precisam ganhar utilidades
Para evitar que novas unidades de interesse histórico tenham o mesmo destino, o diretor lembra que é preciso criar um trabalho de parceria juntos aos proprietários para resgatar os imóveis em más condições.
“Às vezes, só restam as fachadas dos prédio, mas há diversas formas para o poder público auxiliar os donos desses imóveis. Linha de financiamento ou desapropriação, quando for de interesse público, por exemplo. A ideia é sempre dar um uso para esse imóvel abandonado. Por isso, que existem tantas unidades no Centro abandonadas, porque simplesmente deixou de existir um uso, e imóvel sem uso, com o tempo, acaba se degradando”, afirmou.
Ainda segundo o diretor de planejamento urbano do Implurb, é necessário reiterar que os proprietários não só podem como devem utilizar os seus prédios, mesmo que sejam de interesse histórico.
“Os proprietários podem usar os seus imóveis. Não significa que um prédio que é de interesse histórico, ele foi residência, ele tem que continuar sendo residência. Ele pode se tornar escritório, restaurante, e assim sucessivamente. Muitas pessoas tem aquela ideia de ah eu tenho um imóvel de preservação é muito caro você construir. Não é que seja A questão é que você tem que desenvolver um bom projeto pra que não se torne caro”, concluiu.
O Casarão da Inovação Cassina, localizado no Centro Histórico de Manaus, é um bom exemplo de como prédios históricos podem ganhar novas utilidades.
O espaço que passou anos abandonado, foi reformado em 2019, e se tornou o primeiro centro de empreendedorismo e inovação da região Norte.
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Decreto publicado neste mês
Os dados com a listagem das edificações de interesse de preservação atualizados deverão constar em um novo decreto no Diário Oficial do Município (DOM) previsto para ser publicado ainda este mês.
Segundo o Implurb, a revisão deverá permitir um melhor desempenho em relação a essas unidades, tanto nas ações integradas de planejamento quanto no desenvolvimento de projetos municipais.
FONTE: Por G1 AM