A madrasta suspeita de ter envenenado a estudante Fernanda Cabral disse no hospital que a enteada estava tendo uma “intoxicação por Whey Protein”. A informação é da mãe da jovem de 22 anos, Jane Cabral.
“Lembro que no hospital, a Cíntia chegou dizendo que a Fernanda estava tendo uma intoxicação por Whey Protein. Em outro momento, insinuou que podia ser anabolizante, mas falava mais do Whey. Foi aí que acendeu a minha luz sobre possível envenenamento. Comecei a pensar se essa monstra tinha colocado algo na bebida da minha filha”, lembra Jane.
Fernanda morreu em março desse ano, e Cíntia Mariano está presa pelo crime, em Bangu. Segundo a polícia, ela é suspeita de ter envenenado a jovem e de ter tentado intoxicar propositalmente o irmão dela, Bruno Cabral, de 16 anos.
Para a mãe dos jovens, há indícios de premeditação. Uma das análises feitas após a exumação do corpo de Fernanda indica que ela foi mesmo vítima de envenenamento.
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Jane conta que desmentiu veemente o uso de qualquer substância ilícita por parte de Fernanda, mas insistiu com os médicos na possibilidade de envenenamento, o que, segundo ela, foi descartado após um suposto exame toxicológico.
“No segundo dia de internação da Fernanda, eu perguntei a um médico se não poderia ser envenenamento, mas ele disse que não, que isso tinha sido descartado no exame toxicológico feito nela. Mas depois me disseram que esse exame nem é feito no Albert Schweitzer. Mentiram para mim ou tiveram uma conduta negligente, displicente”, diz Jane.
O g1 questionou a Secretária Municipal de Saúde sobre a conduta adotada no tratamento da estudante Fernanda Cabral, que respondeu que a jovem recebeu todos os cuidados para salvar sua vida.
“A investigação sobre os fatos, assim como os exames específicos que cabem à investigação e a determinação para que um corpo seja enviado ao IML são de competência da polícia”, disse.
Banho antes do hospital
Ela também acha que houve premeditação no fato de Cíntia ter colocado Fernanda no banho antes de levá-la ao hospital.
“Hoje, lendo outros casos em que ela é suspeita também, acho que ela tentou retardar ao máximo socorro da minha filha para ver se o veneno fazia efeito mais rápido. Por isso levou para o banho, para ganhar tempo, em vez de levar logo para o hospital”, diz.
“Muita coisa passa na cabeça nesse momento. Mas só quero que essa monstra vá a júri popular, que pegue pena máxima. Minha filha era só amor e alegria, não merecia uma coisa dessas”, diz.
Laudo aponta chumbinho
De acordo com uma fonte ouvida pelo g1, o laudo da exumação do corpo de Fernanda contém duas análises: uma toxicológica, feita pelo laboratório da UFRJ, e outra com o cruzamento de dados obtidos no hospital que atendeu a jovem.
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O laudo laboratorial foi inconclusivo, o que já era esperado, visto que a estudante ficou internada por 13 dias. Mas as análises dos dados médicos feitas pelo IML indicam que houve, sim, o envenenamento.
O prontuário médico de Fernanda no hospital Albert Schweitzer já apontava que ela tinha sido vítima de intoxicação exógena produzida por algum inibidor da enzima acetilcolinesterase, fundamental para a propagação do impulso nervoso.
Esse tipo de inibição é produzida por carbamatos (popularmente conhecido como chumbinho) e pesticidas, e levam à chamada síndrome colinérgica com alterações do estado mental, fraqueza muscular e atividade secretória excessiva. Sintomas manifestados por Fernanda e Bruno quando deram entrada no hospital.
Laudo de irmão também apontou envenenamento
Essa é a segunda confirmação contra Cíntia Mariano esta semana. Um laudo complementar do IML também identificou uma intoxicação por compostos carbofurano e terbufós no material gástrico de Bruno Cabral, de 16 anos, que passou mal após comer feijão preparado pela madrasta.
Uma primeira parte do documento já havia detectado a presença de carbamatos, presente no veneno popularmente conhecido como chumbinho, no dia 10 de junho.
O laudo serviu de base para a Justiça prorrogar a prisão temporária de Cintia Mariano por mais 30 dias.
O documento diz ainda que “caso a vítima não tivesse sido submetida a tratamento imediato, como ocorreu, provavelmente teria evoluído para o óbito”.

O caso
As suspeitas sobre a morte de Fernanda Cabral – cuja morte foi atestada como sendo por causas naturais – , só surgiram quando o irmão dela, Bruno, de 16 anos, começou a passar mal depois de um almoço na casa da madrasta, no dia 15 de maio.
No local, ele reclamou de ter recebido um feijão amargo e com algumas pedrinhas azuis. Em casa, com mãe, e já se sentindo mal, reclamou e falou sobre o alimento.
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No hospital, Bruno foi submetido a uma lavagem estomacal e a um exame de sangue que detectou níveis altos de chumbo em seu sangue.
Com a suspeita de que os filhos foram envenenados, Jane Carvalho Cabral, mãe dos jovens, registrou queixa na 33ª DP, em Realengo, que iniciou buscas na casa da madrasta.
“Ele já veio de lá com uma ansiedade, bem preocupado e achando que tinha acontecido algo estranho porque quando reclamou do feijão amargo de pedrinhas azuis, ela arrancou o prato da mão dele, colocando mais feijão e entregando pra ele depois. Quando ele veio pra cá, veio perguntando como fazia pra vomitar. Mais ou menos uns 40 minutos depois, começou todo o desespero que foi o que a Fernanda sentiu. Na mesma hora eu imaginei que o gosto amargo desse feijão poderia ser o suposto veneno”, contou a mãe dos jovens.
FONTE: Por G1