
Imagens gravadas durante uma videochamada mostram o professor de jiu-jitsu e lutador Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, usando um celular dentro da cela onde estava preso, em Manaus. O vídeo foi entregue à Polícia Civil e passou a integrar as investigações que apuram denúncias de violência sexual contra o treinador.
Segundo as investigações, a gravação foi feita pela pessoa que participava da chamada, que entregou o material à polícia. Durante a conversa, Melqui teria tentado coagir testemunhas e vítimas.
O irmão de Melqui, o policial civil Enoque Galvão, é suspeito de facilitar a entrada do aparelho no local. Ele também foi acusado de importunação sexual e estupro por duas vítimas. Os crimes teriam sido praticados durante uma visita a um projeto social do irmão. Ele foi preso temporariamente.
As imagens vieram à tona enquanto novas denúncias são incorporadas ao inquérito que investiga Melqui. Uma das vítimas ouvidas pelo Bom Dia Brasil afirmou ter sofrido abusos quando era adolescente e participava de um projeto social de jiu-jitsu coordenado pelo treinador.
Em entrevista ao Bom Dia Brasil, a jovem relatou que os crimes teriam ocorrido quando ela tinha 16 anos.
Segundo o depoimento, Melqui oferecia ajuda financeira para custear competições, graduações e equipamentos esportivos e utilizava essa proximidade para se aproximar das atletas.
Quem é Melqui Galvão
Melqui Galvão é conhecido no meio esportivo como faixa preta e treinador de jiu-jitsu, sendo responsável por uma academia na Zona Norte de Manaus. Ele também é pai do multicampeão da modalidade, Mica Galvão.
Após a prisão do pai, Mica usou as redes sociais para se manifestar. Ele afirmou que vive um momento difícil, destacou a relação com o pai e defendeu que o caso seja apurado com rigor pelas autoridades.
“É difícil encontrar palavras para um momento como esse. Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter”, escreveu.
Na publicação, o atleta também repudiou qualquer tipo de violência. “Como pessoa, repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças — esse é um valor que carrego e que não abre exceção”, afirmou.
Investigação e prisão
Segundo a investigação, o caso veio à tona após uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, denunciar a prática de atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do país. A vítima está atualmente nos Estados Unidos e foi ouvida pelas autoridades, junto com familiares.
A prisão temporária foi decretada após denúncias reunidas pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que apura relatos de abusos envolvendo ao menos três vítimas.
De acordo com a polícia, os denunciantes apresentaram uma gravação na qual o investigado admite indiretamente o ocorrido e tenta evitar que o caso seja levado adiante, com a promessa de compensação financeira.
Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. No depoimento, elas relataram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou ter 12 anos na época dos fatos.
Segundo a polícia, Melqui Galvão havia viajado menos de 24 horas antes para o estado do Amazonas. Após contato entre as corporações, ele se apresentou às autoridades em Manaus, onde teve a prisão cumprida.
Além da prisão temporária, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele em Jundiaí, no interior paulista.
O caso tem gerado forte repercussão na comunidade do jiu-jitsu. A Polícia Civil segue com as investigações para apurar a extensão dos crimes e identificar possíveis novas vítimas.
Em nota, a Polícia Civil do Amazonas informou que as investigações relacionadas professor continuam em Manaus, com realização de depoimentos presenciais e virtuais para esclarecer possíveis crimes. O suspeito está detido na Delegacia-Geral, e a corporação aguarda decisão judicial para transferi-lo a um presídio em São Paulo, onde foi expedido o mandado de prisão temporária.
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FONTE: Por G1 AM




































