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Distrito Industrial de Manaus retoma atividades após vazamento de gás tóxico ser controlado

No domingo (19), o Corpo de Bombeiros informou que medições realizadas no local confirmaram que não havia mais emissão de gás estireno. A partir da avaliação, as atividades foram liberadas.

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Distrito Industrial de Manaus retoma atividades após vazamento de gás tóxico ser controlado — Foto: Michel Castro/Rede Amazônica

As atividades no Distrito Industrial de Manaus foram retomadas nesta segunda-feira (20), após o vazamento de estireno, substância inflamável e tóxica, na empresa Innova ser controlado. A liberação foi confirmada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em nota divulgada nesta segunda.

Segundo a autarquia, a decisão foi tomada após um comitê formado por órgãos estaduais concluir, com base em avaliações técnicas, que não havia mais risco para trabalhadores e moradores da região.

Imagens feitas pela Rede Amazônica em empresas da região mostram a retomada das atividades, desde a chegada dos trabalhadores às fábricas até a entrada dos funcionários para o início do expediente.

Com isso, voltaram a funcionar as indústrias do Polo Industrial de Manaus que haviam suspendido as operações por precaução, as escolas estaduais e municipais localizadas na área afetada e o Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5.

No domingo (19), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas informou que medições realizadas no local confirmaram que não havia mais emissão de gás estireno. A partir da avaliação, as atividades foram liberadas.

“Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno como dentro da área isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque atingido”, afirmou o comandante-geral da corporação, coronel Orleilso Muniz.

Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. Segundo o comandante, a retirada do produto armazenado e a desativação da estrutura podem levar meses.

Em nota, a Suframa informou que acompanha a ocorrência desde o início. A autarquia participou das reuniões do comitê, monitorou os impactos do vazamento sobre o funcionamento do Polo Industrial de Manaus e enviou equipes técnicas ao local na quinta-feira (16) e na sexta-feira (17) para acompanhar as ações de contenção e fiscalização.

A Suframa informou ainda que abriu um procedimento administrativo para acompanhar o caso e verificar eventual responsabilidade da empresa pelo cumprimento das obrigações relacionadas ao projeto industrial e ao uso da área sob sua administração.

Mesmo com a retomada das atividades, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que continuará monitorando a operação na Innova. O órgão acompanhará a qualidade do ar, os efluentes gerados, a destinação dos resíduos remanescentes e o cumprimento das condicionantes da licença ambiental da empresa.

Mais de 500 atendimentos por sintomas

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), entre quarta-feira (16) e domingo (19), foram registrados 552 atendimentos de pessoas com sintomas compatíveis com possível exposição ao estireno. Apenas um paciente permanecia internado na rede estadual até este domingo.

A secretaria informou que continuará monitorando os atendimentos e orienta a população a procurar uma unidade de saúde ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, em caso de sintomas relacionados à exposição ao gás.

No sábado (18), um homem de 60 anos morreu após dar entrada em uma unidade particular com problemas respiratórios. Segundo a SES-AM, a causa da morte será investigada pelo comissão de verificação de óbito da unidade privada, para apurar se há relação com a exposição ao estireno.

Outro paciente, de 67 anos, morreu na quarta-feira (16), após procurar atendimento com relato de mal-estar. Segundo a secretaria, não foi constatada relação direta entre o óbito e o vazamento, já que ele tinha histórico de doença respiratória crônica.

Empresa foi multada em mais de R$ 20 milhões

A Innova foi multada em mais de R$ 20 milhões após inspeções técnicas realizadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e por uma força-tarefa formada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec).

Nesta sexta-feira (17), a empresa foi autuada em 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 5.347.300, por poluição do solo e de corpo hídrico. A prefeitura identificou, com auxílio de drones equipados com câmeras térmicas, uma fissura na bacia de contenção do tanque e interditou parcialmente a fábrica.

Horas depois, o Ipaam informou que a Innova foi autuada em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental, em razão da poluição atmosférica provocada pelo incidente.

Na quinta-feira (16), a prefeitura já havia aplicado outra multa à empresa, de 30 mil UFMs, equivalente a R$ 4.554.300, por poluição do ar causada pela emissão de gases.

Somadas, as multas chegam a R$ 22.401.600,00. Os recursos arrecadados com as multas aplicadas pela prefeitura serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA), responsável por financiar ações da política ambiental do município. O Governo do Estado não informou a destinação do valor.

O incidente

O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa.

O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Segundo especialistas, a exposição ao produto por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea.

Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura.

Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. — Foto: Michel Castro/Rede Amazônica
Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. — Foto: Michel Castro/Rede Amazônica
Vazamento de gás tóxico em Manaus já deixou 414 pessoas atendidas e alerta para danos ambientais — Foto: reprodução JN
Vazamento de gás tóxico em Manaus já deixou 414 pessoas atendidas e alerta para danos ambientais — Foto: reprodução JN
INFOGRÁFICO - Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus. — Foto: g1
INFOGRÁFICO – Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus. — Foto: g1

FONTE: Por G1 AM

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