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Condenado pela morte de ex-Miss Manicoré, Rafael Fernandez passa para regime semiaberto no AM

Kimberly foi morta em maio de 2020, em um apartamento no Centro de Manaus onde Rafael morava. Na época, ele fugiu após o crime, mas foi localizado e preso em Roraima dois dias depois.

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Condenado a 13 anos e quatro meses de prisão pela morte da ex-Miss Manicoré Kimberly Mota, Rafael Fernandez Rodrigues passou do regime fechado para o semiaberto e deverá usar tornozeleira eletrônica. A progressão foi concedida pela Vara de Execução Penal e confirmada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A mudança causou surpresa e revolta na família da vítima.

Kimberly foi morta em maio de 2020, em um apartamento no Centro de Manaus onde Rafael morava. Na época, ele fugiu após o crime, mas foi localizado e preso em Roraima dois dias depois.

Segundo o TJAM, Rafael cumpriu o tempo necessário para pedir a progressão de regime. Na análise do pedido, a Justiça também considerou 53 dias de remição da pena por estudo ou outras atividades previstas na Lei de Execução Penal.

Com a remição, ele atingiu em 28 de março de 2026 o requisito de tempo para a mudança de regime. A Justiça também considerou que Rafael apresentou bom comportamento carcerário, comprovado por certidão disciplinar.

A decisão determinou ainda o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu as regras que deverão ser cumpridas por ele no regime semiaberto.

Regras do regime semiaberto

Rafael deverá permanecer em casa das 22h às 6h nos dias úteis. Aos fins de semana, feriados e dias de folga, deverá ficar em casa durante todo o período, exceto quando houver autorização para trabalhar, estudar ou receber atendimento de saúde.

Ele também está proibido de portar armas, consumir bebidas alcoólicas ou usar drogas.

A decisão determina ainda que ele não pode mudar de endereço ou deixar a comarca de Manaus sem autorização prévia da Justiça.

Reação da família

A irmã de Kimberly, Isabela Karen, publicou um vídeo nas redes sociais na sexta-feira (25) após receber a notícia de que Rafael havia passado para o regime semiaberto. Segundo ela, a informação foi repassada pelo advogado da família.

“Acordei recebendo uma mensagem, na verdade, meu advogado me ligou para falar sobre o caso da minha irmã. Acabei de descobrir que o assassino dela tá em semiaberto, já vai começar a usar tornozeleira”, disse.

Em outro trecho, ela criticou a mudança de regime e falou sobre os efeitos da morte de Kimberly para a família.

“Depois de um tempo vai tá vivendo normal, e quem ficou aqui né, ficou, e quem se foi nunca mais vai poder voltar, nunca mais vai poder ter a vida, nunca mais vai ter o direito de continuar vivendo, porque isso foi tirado por um assassino, eu fico muito indignada com isso sabe gente. Fico muito péssima”, declarou.

Na sequência, Isabela disse que a dor da perda continua e que a notícia da progressão de regime a pegou de surpresa.

“Porque só eu sei como isso nunca acaba, nunca acaba, essa dor nunca acaba, esse sentimento nunca passa, sempre tem uma lembrança, sempre tem algo que faz a gente se desequilibrar. E, pra mim, é muito difícil, eu não gosto dessas coisas aqui, mas eu fui pega de surpresa assim sabe, com essa ligação agora de manhã”, afirmou.

Relembre o caso
Kimberly Karen Mota de Oliveira era Miss Manicoré na época do crime. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Kimberly Karen Mota de Oliveira era Miss Manicoré na época do crime. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Kimberly Mota era Miss Manicoré e cursava odontologia na Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro). Ela e Rafael se conheceram em uma boate de Manaus. Segundo a investigação, ele já acompanhava a jovem pelas redes sociais antes mesmo de os dois se relacionarem.

Kimberly Mota era Miss Manicoré e cursava odontologia na Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro). Ela e Rafael se conheceram em uma boate de Manaus. Segundo a investigação, ele já acompanhava a jovem pelas redes sociais antes mesmo de os dois se relacionarem.

O crime aconteceu em maio de 2020. O corpo de Kimberly foi encontrado em um apartamento, no Centro de Manaus, onde Rafael Fernandez Rodrigues morava.

Fuga

Quando o corpo da jovem foi encontrado pela polícia, Rafael já estava na estrada havia quase 24 horas. Segundo as investigações, em uma tentativa de fugir do país.

Ele seguiu para Roraima e teve o carro encontrado capotado na BR-174, em Caracaraí. A polícia suspeitava que ele tentava chegar à Espanha passando pela Venezuela.

Após o acidente, Rafael pegou carona e depois um táxi até Caracaraí. De lá, seguiu para Boa Vista e depois para Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.

Segundo a polícia, ele tentou entrar na Venezuela, mas foi impedido pela Força Nacional do país vizinho. Depois, voltou para Pacaraima e se escondeu em uma área de mata.

Rafael foi preso no dia 15 de maio de 2020. Dois venezuelanos também foram presos por suspeita de favorecimento pessoal.

Condenação

Em 2021, Rafael Fernandez foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado. À época, ele confessou o crime e afirmou que a ex-Miss Manicoré havia mentido para ele.

Em 2023, a pena foi reduzida em oito meses. Com a revisão, Rafael passou a ter de cumprir 13 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. A redução ocorreu após um pedido da defesa, que apontou um erro na dosimetria da pena, o que teria influenciado o cálculo final da condenação.

Rafael Rodrigues foi preso em um barraco numa área de mata em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela — Foto: Arquivo pessoal
Rafael Rodrigues foi preso em um barraco numa área de mata em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela — Foto: Arquivo pessoal

FONTE: Por G1 AM/Sentença de Rafael Fernandez Rodrigues foi decidida nesta quinta-feira (28). — Foto: Divulgação/TJAM

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