
Mariana Fernandes, de 37 anos, enfrenta a doença pela segunda vez. Em ambas as vezes, ela notou os nódulos após fazer o autoexame.
Um vídeo que mostra a fisioterapeuta Mariana Fernandes, de 37 anos, raspando o cabelo devido ao tratamento contra o segundo câncer de mama repercutiu e emocionou a web. Na gravação, ela está ao lado de suas duas filhas pequenas, de 5 e 8 anos, e com o apoio das crianças e da família, conseguiu passar pelo momento de forma positiva e feliz.
“Eu raspei meu cabelo há cerca de três semanas, no fim de setembro. Nesse dia, eu só pensei ‘hoje é o dia de raspar o meu cabelo, que é o processo da minha cura'”, destacou Mariana em entrevista ao g1 na quarta-feira (27).
A fisioterapeuta, que é de Santos, no litoral de São Paulo, está enfrentando o câncer de mama pela segunda vez. O primeiro foi diagnosticado em janeiro de 2020, e a recidiva, na mesma mama – a direita, aconteceu de forma mais agressiva, com diagnóstico em agosto de 2021.
“Eu sempre tive o hábito de fazer o autoexame, e nas duas vezes descobri o nódulo por meio do autoexame. Eu sou a quarta mulher da família diagnosticada com câncer de mama antes dos 40 anos. No primeiro diagnóstico, o câncer era localizado, e eu fiz mastectomia bilateral e hormonioterapia. No segundo diagnóstico, o câncer voltou mais agressivo, com vários focos na mesma mama, operei e agora estou fazendo quimioterapia. Após o término das quimios, farei radioterapia e hormonioterapia”, explica.
Superação
Segundo a fisioterapeuta, receber o diagnóstico de câncer não foi fácil, ainda mais por ter duas filhas pequenas e temer o que poderia ocorrer. Contudo, ela tentou levar a doença, nas duas vezes, da forma mais “positiva e leve” possível.
“Eu tive o diagnóstico do primeiro câncer de mama no auge da minha vida, aos 35 anos. Digo que o câncer aconteceu por pura ironia do destino, porque eu sou fisioterapeuta especializada em saúde da mulher e câncer de mama, o meu trabalho de conclusão de curso também foi sobre a doença. Eu sempre tive hábitos alimentares saudáveis, e fazia atividade física todos os dias”, conta.
Segundo conta, o diagnóstico do segundo câncer foi ainda mais difícil, e a fez entrar em desespero. Porém, após conseguir lidar melhor com a notícia de que cravaria mais uma vez uma batalha contra a doença, resolveu que também seria melhor manter o pensamento positivo, de que iria conseguir se recuperar.
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“Após passar a tempestade, nós só temos duas escolhas, ficar chorando ou encarar de frente, com muita coragem, leveza e bom humor. E eu tenho certeza que não tive câncer por acaso, porque esse acontecimento me fez encontrar um propósito lindo para a minha vida, que é o projeto Anjo Rosa. Hoje, eu tenho um canal no YouTube com esse nome, onde compartilho minha experiência e ajudo outras mulheres que estão passando pela doença. Uso, também, o Instagram para esse propósito, e o retorno está sendo muito gratificante”, destaca.
Raspar o cabelo
A fisioterapeuta relata que, quando começou o tratamento quimioterápico, o médico a alertou que, em duas semanas, começaria a cair seu cabelo. “Eu comecei a me preparar emocionalmente para aquele momento. Tive duas semanas para fazer essa preparação psicológica. E com as minhas filhas, eu fiz a mesma coisa. Falei para elas que estava muito feliz, porque o remédio que estou tomando vai fazer efeito, e o cabelo iria começar a cair, sempre muito positiva, e passando essa leveza para elas”, destaca.
Após duas semanas, seu cabelo começou a cair, e ela resolveu que era a hora de cortar. Ela, então, chamou o marido, as filhas e os pais, e falou que iria raspar o cabelo.
“No início, minhas filhas falavam que não me queriam careca, e eu respeitava esse momento, deixava para o dia seguinte uma conversa mais profunda, até que elas entenderam. No dia em que fui raspar o cabelo, dei uma tesoura para cada uma, e foi uma farra só! Elas acharam que eu era uma boneca. No fim, quando elas me viram careca, falaram ‘mamãe, você está horrível!’. E caímos na risada!”, lembra.
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Mariana conta que havia comprado lenços e chapéus, mas gostou de se ver careca. Ainda em tratamento, ela afirma que é muito importante para ela conseguir alertar outras mulheres de que o câncer de mama “não escolhe idade, classe social ou raça, e, na maioria das vezes, é silencioso”.
“O diagnóstico precoce é sempre o melhor caminho. Então, não tenha medo, faça os exames de imagem regularmente, e faça o autoexame. Porque quem procura acha, e quem acha cura”, alerta.
FONTE: Por G1