A dívida consolidada líquida do Amazonas chegou a R$ 7,53 bilhões em 2025, segundo dados do Tesouro Nacional consultados pelo g1. O valor corresponde a 26,38% da receita corrente líquida do estado.
Apesar da queda em relação a 2024, quando a dívida chegou a R$ 7,87 bilhões, o montante permanece bem acima do registrado nos anos anteriores. Em 2020, a dívida consolidada líquida era de R$ 2,82 bilhões.
A dívida consolidada líquida considera as obrigações financeiras do estado descontados os recursos disponíveis em caixa e em aplicações financeiras. Já a dívida consolidada, que representa o valor bruto das obrigações, chegou a R$ 10,84 bilhões em 2025.
Dívida cresceu nos últimos anos
O endividamento do Amazonas aumentou de forma significativa a partir de 2020.
Naquele ano, a dívida consolidada líquida era de R$ 2,82 bilhões. O valor subiu para R$ 4,21 bilhões em 2021, R$ 5,23 bilhões em 2022 e R$ 5,90 bilhões em 2023.
Em 2024, atingiu o maior valor da série, com R$ 7,87 bilhões. Em 2025, houve uma redução de cerca de R$ 340 milhões.
Evolução da dívida consolidada líquida:
- 2020: R$ 2,82 bilhões;
- 2021: R$ 4,21 bilhões;
- 2022: R$ 5,23 bilhões;
- 2023: R$ 5,90 bilhões;
- 2024: R$ 7,87 bilhões;
- 2025: R$ 7,53 bilhões.
Já a dívida consolidada passou de R$ 6,81 bilhões em 2020 para R$ 10,84 bilhões em 2025. Em 2024, o valor havia chegado a R$ 11,38 bilhões.
Segundo o advogado Gustavo Yanase Fujimoto, a dívida consolidada representa o total das obrigações financeiras do estado, enquanto a dívida consolidada líquida desconta os recursos disponíveis em caixa e aplicações.
“A dívida consolidada é o valor bruto total que o Estado deve. Ela considera todos os contratos de empréstimo, financiamentos e outras obrigações de longo prazo. Já a dívida consolidada líquida é esse valor descontado do que o Estado tem disponível em caixa e aplicações financeiras”, explicou.
A dívida consolidada líquida é usada pela legislação para verificar os limites de endividamento dos estados.
Amazonas contratou 12 empréstimos desde 2023
Dados do Tesouro Nacional mostram que o Governo do Amazonas contratou 12 operações de crédito entre 2023 e 2025.
Os contratos foram firmados com instituições como o Banco do Brasil, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird).
Os recursos foram destinados a áreas como infraestrutura, saneamento, habitação, educação, gestão fiscal e despesas de capital.
Entre os maiores contratos estão dois empréstimos de R$ 3 bilhões cada, firmados com o Banco do Brasil em dezembro de 2024.
A primeira operação do período foi contratada em agosto de 2023. O empréstimo, de US$ 87,5 milhões, foi destinado ao Programa de Saneamento Integrado de Parintins (Prosai Parintins).
Em 2025, o estado contratou mais três empréstimos: um de US$ 585 milhões com o Bird, em junho; outro de R$ 1,5 bilhão, em novembro; e um terceiro de US$ 60 milhões, em dezembro.
O valor da operação do Programa de Apoio à Gestão dos Fiscos do Brasil (Profisco III), contratada com o BID em dezembro de 2024, não foi informado nos dados consultados pelo g1.
Dívida aumenta despesas com juros e amortizações
O aumento do endividamento também tem impacto sobre o orçamento estadual.
Segundo Gustavo Yanase Fujimoto, os financiamentos contratados pelo governo geram despesas futuras com juros e amortizações, que precisam ser previstas no orçamento.
“Quanto maior o endividamento, maior também é a parcela do orçamento comprometida para pagamento de juros e amortizações”, afirmou.
Na avaliação do especialista, o comprometimento maior do orçamento pode reduzir os recursos disponíveis para investimentos e novas políticas públicas.
Além disso, um nível elevado de endividamento pode limitar a capacidade do estado de contratar novos empréstimos em situações emergenciais.
Como o Tesouro calcula a dívida
Os dados são informados por estados e municípios ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi).
O Tesouro Nacional reorganiza as informações para reduzir diferenças de preenchimento e facilitar a comparação entre os entes públicos.
Em 2025, os financiamentos internos representavam R$ 5,91 bilhões da dívida consolidada do Amazonas. Outros R$ 4,67 bilhões correspondiam a financiamentos externos.
Também estavam incluídos R$ 25,36 milhões em parcelamentos e renegociações de dívidas. Desse total, R$ 20,48 milhões eram referentes a tributos e R$ 4,87 milhões a contribuições previdenciárias.
O g1 procurou o Governo do Amazonas para comentar os dados, mas até a última atualização desta reportagem, não houve retorno.
FONTE: Por G1 AM





































