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Fumaça perde força em Manaus após uma semana e capital deixa liderança do ranking de pior qualidade do ar do Brasil

Por volta das 6h, o índice de qualidade do ar em Manaus era de 85, classificado como "moderado". Com isso, a cidade passou para a segunda posição, atrás de Porto Velho (RO), que registrava índice de 101.

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Céu da cidade de Manaus na manhã desta quinta-feira — Foto: Lucas Macedo/g1

A fumaça provocada pelas queimadas perdeu intensidade em Manaus nesta quarta-feira (15), após uma semana de poluição intensa. Com a melhora na qualidade do ar, a capital amazonense deixou a primeira posição do ranking das cidades mais poluídas do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir.

Por volta das 6h, o índice de qualidade do ar em Manaus era de 85, classificado como “moderado”. Com isso, a cidade passou para a segunda posição no ranking nacional em tempo real, atrás de Porto Velho (RO), que registrava índice de 101.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram melhora na qualidade do ar. Por volta das 6h, os índices variavam entre as categorias “moderado”, na maior parte da capital, e “ruim”, em dois bairros.

O melhor resultado foi registrado no bairro Tarumã, na Zona Oeste, com concentração de partículas de 27 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Já o Morro da Liberdade, na Zona Sul, tinha o pior índice entre os locais citados, com 54 µg/m³.

🔎 A qualidade do ar é considerada boa pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse nível, os índices passam por classificações que variam de moderada a péssimo, conforme a escala utilizada pelo sistema.

Fumaça suspende atividades esportivas ao ar livre em Manaus

Na quarta-feira (14), a fumaça que encobriu Manaus também levou à suspensão temporária de atividades esportivas ao ar livre na Vila Olímpica. A medida foi anunciada pela Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel) para proteger a saúde dos participantes diante da piora na qualidade do ar.

Foram suspensas as atividades do Vila Aberta para Todos, + RespirAR, + Futevôlei e do Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior (+Pelci), além das aulas de corrida e natação para adultos.

A suspensão é temporária e vale para as atividades realizadas ao ar livre na capital.

Fumaça vem de queimadas no Amazonas e em estados vizinhos

A fumaça que cobriu Manaus ao longo da última semana está relacionada às queimadas em municípios do interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e o norte de Mato Grosso.

Segundo meteorologistas, as partículas liberadas pelo fogo podem permanecer suspensas na atmosfera por vários dias e percorrer longas distâncias, transportadas pelo vento. Por isso, a fumaça pode atingir a capital mesmo quando não há focos de incêndio nas proximidades.

O meteorologista Leonardo Vergasta explicou que as partículas que formam a fumaça são muito pequenas e leves, o que permite que permaneçam no ar por dias e sejam transportadas pelo vento.

“A fumaça é feita de partículas muito pequenas e leves, que ficam suspensas no ar por dias e se movem junto com o vento, quase como folhas levadas por um rio invisível”, explicou.

Nesta época do ano, os ventos na região sopram predominantemente de leste e nordeste, favorecendo o transporte da fumaça de áreas onde há queimadas. A pouca ocorrência de chuva durante o período de seca também contribui para que os poluentes permaneçam por mais tempo na atmosfera.

“Por isso, uma cidade pode ficar coberta de fumaça mesmo sem muitos focos por perto: ela recebe a fumaça emitida em outras áreas, somada à que é produzida localmente”, afirmou Vergasta.

Queimadas no estado

A persistência da fumaça ocorre em meio ao aumento dos focos de incêndio no Amazonas. Nos primeiros 14 dias de outubro, o estado registrou cerca de 1,6 mil focos, um aumento superior a 270% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 473 registros.

Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Ibama intensifica combate às queimadas no Amazonas

Diante do avanço das queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que notificou previamente 725 propriedades rurais sobre o alto risco de propagação do fogo. Equipes realizam vistorias para verificar se as medidas de prevenção foram cumpridas. Parte dos responsáveis já foi autuada por descumprimento das determinações.

A força-tarefa federal concentra ações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, apontados como áreas críticas. Segundo os órgãos envolvidos, as queimadas nessas regiões contribuem para a fumaça que afeta a população de Manaus.

Na terça-feira (13), o Ibama informou que havia extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro e que suas equipes continuavam combatendo outros oito focos ativos. Para reforçar a operação, foram mobilizadas 11 aeronaves, entre aviões de combate ao fogo, helicópteros e aeronaves de apoio logístico.

Fumaça de queimadas encobre o Amazonas. — Foto: Reprodução/Inpe
Fumaça de queimadas encobre o Amazonas. — Foto: Reprodução/Inpe

FONTE: Por G1 AM

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